NÃO LEIA ESTE ARTIGO SE PRETENDE ASSISTIR LANTERNA VERDE NO CINEMA, POIS CONTÉM SPOILERS. EU NÃO SEI O QUE É UM SPOILER, MAS SE VOCÊ SOUBER, FICA AVISADO.
Como fã do Lanterna Verde, eu não posso me abster de fazer meus comentários sobre o filme produzido pela Warner, após quase um mês de sua estreia no Brasil.

Ryan Reynolds como Lanterna Verde
Bem, quando fui ao cinema, eu já sabia do fracasso do filme nas bilheterias norte-americanas. Ele começou na frente dos demais lançamentos, mas com valor inferior ao esperado pelo estúdio e ao arrecadado por outros filmes de super-heróis.
O filme é tão ruim assim?
Eu não achei. Até agora, na verdade, eu não entendi o que esperavam desse filme.
O filme conta a origem do Lanterna Verde. Em um filme de origem, como Homem-Aranha 1 e Batman Begins, o herói só vai aparecer caracterizado quase na metade do filme. Então acho que não dá pra querer ação desenfreada desde o começo.
Eu li que muitos criticaram a falta de explicação sobre porque o Hal tinha coragem de pilotar aviões até o limite deles e tinha medo de ejetar seu assento para se salvar. Bem, existe um flashback que mostra o motivo, mas pra quem não presta atenção no filme, e fica só comendo pipoca e conversando, não dá pra entender mesmo.
Outras críticas falam que Hal sai de Oa e volta pra Terra sem explicação. Mas que explicação queriam? Ele teve um treinamento básico, com Tomar-Re e Kilowog. Depois o Sinestro deixou claro que arrancaria o anel de seu dedo se pudesse, que ele não era bem vindo. Ele ia ficar em Oa fazendo O QUÊ?
Criticaram a escolha do Parallax como vilão. Eu me regozijei. Eu me senti vingado. Nos terríveis anos 90 do século XX, para alavancar as vendas, a DC Comics foi até as últimas consequências com seus personagens. Ela matou o Superman. Aleijou o Batman. Piranhas comeram a mão do Aquaman. O Arqueiro Verde explodiu com a mão presa em uma avião. E o Lanterna Verde… Hal Jordan… o mais destemido… o primeiro e único… enlouqueceu, massacrou a Tropa, matou o Sinestro, sugou a energia da Bateria Central, causou a morte de quase todos os guardiões e tentou destruir o universo pra criar e de novo. Esta história se chamou Crepúsculo Esmeralda e, para mim, foi uma das piores que já criaram até hoje.

Emerald Twilight
Transformaram meu super-herói em vilão! Hal Jordan agora era Parallax, e estava disposto a matar quem fosse preciso pra fazer um universo perfeito. Seu melhor amigo, o ainda vivo Arqueiro Verde, o deteve com uma flecha.
Depois disso, Jordan tentou voltar a ser Lanterna Verde. A qualquer custo. Tentou arrancar o anel de Kyle Rayner, escolhido como seu sucessor. Os heróis não o aceitaram de volta.
Para se redimir, Jordan morreu lutando contra a entidade conhecida como Devorador de Sóis. E assim, após vários atos inglórios, o eterno Lanterna Verde da Era de Prata se despedia.
Algum tempo depois, Hal Jordan volta… não à vida, mas à ação. O espírito de Jim Corrigan se liberta finalmente de sua sina de Espectro e Hal se torna o novo Anjo Vingador. Não fazia sentido, pois o Espectro é alguém que morre assassinado, e castiga aqueles que assim são mortos. Hal não foi assassinado.

Hal Jordan como Espectro
Bem, o coitado do Hal tem que perambular como alma penada até que a DC resolve consertar a besteira que fez. Mas, e agora? Como trazer alguém da morte? Que desculpa inventar?
Num arroubo de imaginação, inventaram uma série de coisas, entre elas:
- O corpo de Hal estava preservado dentro do sol. Como?!
- Dentro da bateria energética havia uma criatura chamada Parallax. Como Hal entrou na bateria mais de uma vez (pelo menos segundo as histórias Amanhecer Esmeralda e Lanterna Verde: Mundo Surreal), essa entidade se apossou dele. Conforme ele passou por momentos difíceis, a entidade foi tomando conta de sua mente, até que surgiu o momento de maior fragilidade: a destruição de Coast City por Mongul, clássico antagonista do Superman.
A explicação era esta: não foi Hal quem promoveu o massacre da Tropa e quem quase destruiu o universo. Foi Parallax, usando o corpo de Hal. Quando Hal, ainda possuído, enfrentou o Devorador de Sóis, o Espectro tomou sua alma, junto com a essência de Parallax, para tentar separá-los. Quando o Espectro conseguiu separar os dois, Hal voltou para seu corpo e o primeiro Lanterna Verde do setor 2814 voltou à ativa.
Que desculpa mais horrível! E o pior é que Parallax volta depois, e se apossa de Kyle Rayner, na Guerra da Tropa Sinestro (Guerra dos Anéis no Brasil).
O lado bom foi que Hal Jordan voltou, com bons roteiros e a arte fantástica de Ivan Reis. Grandes sagas se sucederam, como a Guerra das Luzes, A Noite Mais Densa e o Dia Mais Claro.
Eu odeio o que fizeram com Hal Jordan e odeio Parallax. A maneira como ele é derrotado no filme é uma referência ao modo como o Devorador de Sóis é derrotado. Agora, sim, no filme achei fantástico isso! A derrota de Parallax, me pareceu uma mensagem “vamos enterrar essa bobagem que criamos”. Mesmo a origem do Parallax, no filme, tem muito mais sentido do que nos quadrinhos.
Bem, eu me estendi bastante. A questão é que o núcleo da história do Lanterna Verde, em si, é simples: é o triunfo da força de vontade sobre o medo. O medo coíbe a força de vontade, por isso, para dominar completamente o poder do anel, seu usuário não pode ter medo.
Mas isso é algo muito estranho e complexo. Força de vontade é fé, e é difícil ter fé. Uma mensagem que fica clara no filme é o fato dos Guardiões e da Tropa deixarem Hal sozinho, recusando-se a ajudá-lo a salvar a Terra.

Hal Jordan fazendo o juramento
E é assim que ocorre com quem tem como poder apenas sua fé. Quando você mais precisar, ninguém vai te ajudar. Ninguém vai vir te salvar. Você está sozinho, como um agente secreto quando é capturado.
Agora, quando, contra todas as possibilidades, você obter êxito sem ter recursos suficientes, sem ter chance, fazendo algo quase impossível, tenha certeza de que será como no filme: aqueles de quem você precisava antes vão aparecer para lhe cumprimentar.
Este é o caminho do herói.